Reynaldo Jardim

- Realizada pessoalmente, no dia 06.09.08, no 3º andar da Biblioteca Nacional, às 15h50.


Nome completo:
Reynaldo Jardim

Nascimento: 13 de dezembro de 1926, em São Paulo (SP)

Em Brasília desde: 1988

Bibliografia: Publicou dez livros de poesia, entre eles Joana em Flor e Maria Bethânia, Guerreira, Guerrilha. A Lagartixa é seu mais recente livro. Vem preparando a edição de sua poesia completa, com inclusão de vários inéditos.

 

- Breve perfil (retirado do livro Deste Planalto Central: Poetas de Brasília, organizado por Salomão Sousa)
Entre outras atividades profissionais, participou, nos anos 50, da reforma do Jornal do Brasil, onde criou e editou o Suplemento Dominical, o Caderno de Domingo e o Caderno B. antes, fora redator das revistas O Cruzeiro e Manchete e exerceu cargos de chefia em várias rádios do Rio de Janeiro. Em 1967, criou o jornal-escola O Sol. Dirigiu o Correio da Manhã de 1967 a 1972. Trabalhou em diversas capitais brasileiras em reformas de jornais, até chegar a Brasília, em 1988, onde foi editor do caderno Aparte, do Correio Braziliense, e diretor executivo da Fundação Cultural do Distrito Federal.

 

PERGUNTAS

1. Como você se tornou jornalista e escritor?
A minha literatura começou por causa da minha prima. Eu era apaixonado por ela e aos 13 anos lhe escrevia poemas. Até os 18 anos eu tive o hábito de comprar agendas e escrever três poemas por dia em cada página. Isso serviu muito como um exercício. Quando entrei para o jornalismo, eu já era escritor. Aos 16 anos, minha primeira matéria foi publicada, na Revista Letras, em SP. Gostaram tanto da minha participação que me mandaram uma carta chamando para trabalhar no jornal. Mas não topei. Era pra ficar falando mal de quem não anunciava.

Depois eu fiz o primeiro curso de Publicidade que teve no Brasil., na Associação Paulista de Propaganda, que hoje virou a Escola Superior de Publicidade. Trabalhei em SP em uma revista tipo Caras, chamada Carrossel. Aí fui para o Rio de Janeiro com dois amigos, sem emprego. Orei com um amigo doido e super culto, o Julio Braga. A gente morava em cima de uma garagem e o braço dele sempre adormecia enquanto ele dormia. Não é que ele teve a idéia de comprar uma cama daquelas com X na estrutura e fez um rasgo nela para deixar o braço caído? Ele era muito culto… eu acho, aliás, que a erudição atrapalha a criatividade. Porque a pessoa já sabe tudo, não tem mais o que inventar. Só a ignorância constrói.

2. Como você vê o jornalismo de Brasília?
O que falta no jornalismo atual, brasiliense e nacional, é uma matriz diferente. Todo mundo copia todo mundo. Os jornais deveriam criar matrizes estruturais novas. Todos tem política, economia, cidade. Pensam que o leitor é burro. Uma matéria não é melhor porque tem mais ou menos caracteres. O tamanho da matéria não importa, o que atrai ou não o leitor é o conteúdo. O jeito de escrever tem que mudar – todos tem a mesma coisa. O lide, por exemplo. Ele foi essencial na época de guerras e disciplinou as matérias dos jornais. Mas já cumpriu sua missão. Hoje as notícias podem dar as mesmas informações do lide, mas reformular a estrutura do texto.

3. Mas você acha que há espaço para a literatura na mídia?
Acho que até existe divulgação da literatura nos meios de comunicação, mas em cadernos literários, não em suplementos culturais. E tudo vem em formato tradicional, com resenhas e notinhas, sem críticas mais profundas. Eu entendo que em 10 linhas o pensamento tende a ser mais condensado e de distanciamento. Em jornais, já mantive uma coluna chamada Literatura Contemporânea, no suplemento dominical do Jornal do Brasil. A literatura nem sempre foi vinculada ao jornalismo. Eu publicava livros de poesias e mantinha o trabalho no suplemento. Não é uma vinculação direta. A atividade jornalística é profissional, a relação com a poesia é amadora. Quando eu estava no Jornal do Brasil, conseguia conciliar o suplemento cultura, o caderno B, a direção da rádio, a produção de poesias e a vida social. Não tem conflito. Poesia não é algo que se escreve durante o expediente. E, depois que você escreve muita poesia, fica habituado, mecaniza a linguagem. Mas, para desmecanizar a coisa, criei um novo tipo de poesia: sem sentido, mais preocupada com a forma. A imprensa cotidiana e o jornalismo não tem nada a ver com a literatura criativa. O importante é ler e escrever. 

4. Você se diz um poeta profissional. Por que?
Eu sou, na verdade, o único poeta brasileiro profissional. Durante dois anos eu publiquei poemas diários no JB e no Ultima Hora também, às vezes até pra TV. Eles me pagavam para escrever poesia. Ninguém mais conseguiu isso. Então brinco que poesia chegou mesmo a ser minha profissão. Para mim, o jornalismo é mais amador que a poesia.

5. Que panorama você faz da literatura brasiliense?
Conheço muito superficialmente a poesia brasileira e brasiliense. Mas eu sei que há um hiato grande entre o público e o livro. Em Brasília, poderia citar o Turiba, o Taveira, Nicolas Behr. Todos falam de temas variados, da ausência. Mas ninguém conhece toda a poesia brasileira, então não posso dar algum panorama.

6. Tem algum projeto em andamento?
Meu novo projeto é fazer um jornal inovador, que não gasta papel, nem rotativa, nem tinta ou escritório. Seria um jornal que encaminharíamos para uns 50 jornais brasileiros, para que eles reproduzissem. Um suprimento cultural, na verdade, que daria um caderno de 8 páginas – você manda pela Internet e pronto, cada jornal de uma cidade diferente imprime. Vai ser a maior tiragem.

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